Cientistas Fazem Pão Com Levedura Encontrada nas Entranhas de uma Múmia de 5.300 Anos

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Parece algo saído de um filme de ficção científica, mas aconteceu de verdade: cientistas conseguiram produzir pão utilizando uma levedura encontrada no interior de uma múmia de aproximadamente 5.300 anos.

A descoberta foi feita durante estudos sobre Ötzi, o famoso “Homem do Gelo”, uma múmia naturalmente preservada encontrada nos Alpes em 1991. Além de revelar novos detalhes sobre a microbiota humana antiga, a pesquisa mostrou que alguns micro-organismos associados à múmia permaneceram vivos — ou pelo menos viáveis — após milhares de anos.

O resultado? Um fermento capaz de fazer pão e que, segundo os pesquisadores, apresentou um desempenho surpreendentemente bom.


Quem Foi Ötzi, o Homem do Gelo?

Ötzi é uma das múmias mais bem preservadas já encontradas.

Ele viveu durante a Idade do Bronze e morreu há cerca de 5.300 anos após ser atingido por uma flecha nas costas. Seu corpo foi descoberto por montanhistas em uma geleira na fronteira entre Itália e Áustria, em setembro de 1991.

Graças às baixíssimas temperaturas, seus tecidos, órgãos internos, roupas, ferramentas e até parte de sua microbiota foram preservados de maneira extraordinária.

Hoje, o corpo permanece armazenado em condições controladas no Museu Arqueológico do Tirol do Sul, na Itália, mantido a aproximadamente -6 °C, simulando o ambiente em que foi encontrado.


A Descoberta Inesperada

Pesquisadores do instituto Eurac Research, na Itália, analisavam amostras retiradas dos intestinos, da pele e de líquidos provenientes do descongelamento parcial da múmia quando encontraram algo inesperado:

quatro espécies de leveduras adaptadas a ambientes extremamente frios.

Esses fungos microscópicos normalmente são encontrados em locais como:

  • Alpes;
  • regiões polares;
  • geleiras;
  • Antártica.

As análises genéticas mostraram que algumas dessas leveduras apresentavam padrões de degradação do DNA compatíveis com micro-organismos muito antigos, sugerindo que elas podem ter acompanhado Ötzi por boa parte de sua jornada através dos milênios.


A Pergunta Que Mudou Tudo

Após identificar as leveduras, surgiu uma dúvida inevitável entre os pesquisadores:

“Será que dá para fazer pão com isso?”

A resposta foi sim.

Os cientistas cultivaram os fungos em laboratório sob temperaturas controladas e tentaram utilizá-los na fermentação.

Os primeiros testes falharam.

Mas depois de cerca de três meses de experimentos, a equipe conseguiu desenvolver um fermento natural funcional.

Segundo os pesquisadores, o resultado foi um fermento de excelente qualidade.

Um dos autores do estudo chegou a descrevê-lo como:

“Um fermento natural realmente muito bom.”

Agora os cientistas estudam a possibilidade de utilizar essas mesmas leveduras para produzir cerveja.


Muito Além do Pão

Apesar da curiosidade gastronômica chamar a atenção, a descoberta possui aplicações científicas muito mais importantes.

Quando Ötzi foi encontrado, seu corpo foi tratado com fenol, um composto químico usado para impedir a proliferação de fungos e bactérias.

Durante os experimentos, os pesquisadores perceberam algo surpreendente:

as leveduras eram capazes de degradar o fenol.

Isso significa que esses micro-organismos podem ter potencial para aplicações em processos de biorremediação, uma técnica que utiliza organismos vivos para descontaminar ambientes afetados por produtos químicos.

No futuro, essas leveduras poderiam ajudar a remover compostos tóxicos de:

  • solos contaminados;
  • águas poluídas;
  • resíduos industriais.

O Que a Múmia Revelou Sobre Nossa Alimentação?

A pesquisa também trouxe novas informações sobre a microbiota humana antiga.

Os cientistas identificaram bactérias intestinais praticamente desaparecidas das populações modernas.

Curiosamente, algumas dessas bactérias ainda são encontradas em povos indígenas e comunidades tradicionais da África e da América do Sul.

Esses microrganismos também foram detectados em fezes humanas preservadas há cerca de 3.000 anos em minas de sal na Áustria.

Segundo os pesquisadores, isso sugere que nossos ancestrais possuíam uma microbiota muito diferente da atual.

Uma das explicações pode estar na alimentação.

Ötzi consumia:

  • mais fibras;
  • mais cereais integrais;
  • menos alimentos ultraprocessados;
  • maior diversidade de vegetais.

Esse padrão alimentar favorecia o desenvolvimento de bactérias intestinais que hoje se tornaram raras em populações industrializadas.


Um Ecossistema Vivo Congelado no Tempo

Uma das conclusões mais fascinantes do estudo é que Ötzi não pode ser visto apenas como uma múmia congelada.

Segundo os pesquisadores, ele representa um verdadeiro ecossistema microscópico.

Mesmo após mais de cinco mil anos, fungos, bactérias e outros micro-organismos continuam interagindo com seus tecidos preservados.

Isso transforma a múmia em um laboratório biológico único para entender:

  • a evolução da microbiota humana;
  • a adaptação de microrganismos ao frio extremo;
  • o desenvolvimento de novas aplicações biotecnológicas.

Curiosidades Sobre a Descoberta

  • Ötzi morreu há aproximadamente 5.300 anos.
  • Seu corpo foi encontrado em uma geleira nos Alpes em 1991.
  • Foram identificadas quatro espécies de leveduras adaptadas ao frio extremo.
  • Os pesquisadores conseguiram produzir pão usando essas leveduras.
  • A equipe agora avalia produzir cerveja com os mesmos fungos.
  • Os micro-organismos demonstraram capacidade de degradar fenol, um poluente químico.
  • A microbiota da múmia revelou bactérias praticamente ausentes em populações modernas.

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