A China deu mais um passo gigantesco em sua corrida espacial. Neste domingo (24), o país lançou oficialmente a missão Shenzhou-23, considerada uma das etapas mais importantes do programa chinês para levar astronautas à Lua até 2030.
O foguete Longa Marcha 2F decolou do Centro de Lançamento de Jiuquan, no deserto de Gobi, levando três astronautas rumo à estação espacial chinesa Tiangong, cujo nome significa “Palácio Celestial”. Pela primeira vez na história do programa espacial chinês, um dos tripulantes permanecerá no espaço durante um ano inteiro.
A longa permanência em órbita servirá como um enorme laboratório para os cientistas estudarem os efeitos da microgravidade no corpo humano — algo considerado essencial para futuras missões à Lua e até mesmo a Marte.
A Primeira Missão Chinesa de Longa Duração no Espaço
Até agora, os astronautas chineses permaneciam cerca de seis meses na estação espacial Tiangong antes de serem substituídos. Com a Shenzhou-23, a China dobra esse período pela primeira vez.
Os cientistas querem entender como o corpo humano reage após longos períodos fora da Terra. Entre os principais problemas estudados estão:
- perda de densidade óssea;
- atrofia muscular;
- exposição prolongada à radiação espacial;
- distúrbios do sono;
- fadiga psicológica e comportamental.
Esses efeitos se tornam cada vez mais perigosos em missões espaciais longas. Em uma viagem para Marte, por exemplo, astronautas poderiam passar mais de dois anos longe da Terra.
Além dos impactos no corpo humano, os pesquisadores também avaliarão a eficiência dos sistemas de reciclagem de água, produção de oxigênio e suporte à vida — tecnologias fundamentais para futuras bases lunares.
Quem São os Astronautas da Missão?
A tripulação da Shenzhou-23 é formada por três astronautas:
- Zhu Yangzhu, engenheiro aeroespacial e comandante da missão;
- Zhang Zhiyuan, ex-piloto da força aérea chinesa;
- Li Jiaying, o primeiro astronauta de Hong Kong a participar de uma missão espacial chinesa.
A agência espacial chinesa ainda não revelou qual dos três permanecerá um ano completo em órbita. A decisão dependerá do progresso da missão e das condições físicas da tripulação ao longo dos próximos meses.
A Corrida Espacial Entre China e Estados Unidos
Nos últimos anos, a China investiu bilhões de dólares em seu programa espacial e passou a competir diretamente com os Estados Unidos na nova corrida pela Lua.
Enquanto a NASA trabalha no programa Artemis, que pretende levar astronautas novamente ao solo lunar, a China desenvolve seus próprios foguetes, cápsulas e estações espaciais.
O país já realizou feitos impressionantes:
- em 2019, pousou uma sonda no lado oculto da Lua pela primeira vez na história;
- em 2021, colocou um robô explorador em Marte;
- e agora avança para missões espaciais cada vez mais longas.
A China também pretende lançar ainda este ano a espaçonave Mengzhou, chamada de “Nave dos Sonhos”, que substituirá a atual Shenzhou em futuras viagens tripuladas à Lua.
O Grande Objetivo: Construir Uma Base na Lua
O plano chinês vai muito além de apenas pousar astronautas no satélite natural da Terra.
Pequim pretende construir até 2035 a chamada Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS) — uma base científica permanente na Lua que poderá servir como ponto de apoio para futuras missões espaciais profundas.
A estratégia chinesa ganhou ainda mais força após o país ter sido oficialmente excluído da Estação Espacial Internacional (ISS) em 2011, quando os Estados Unidos proibiram a NASA de colaborar com o programa espacial chinês. Desde então, a China passou a desenvolver sua própria infraestrutura espacial de forma independente.














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